ENPT
22.01
\  2026
28.06
\  2026
Auto dos Anfitriões. Obras da Coleção da Fundação Leal Rios na Coleção de Serralves
Christian Andersson, Becky Beasley, Inês Botelho, Fernando Calhau, Luís Paulo Costa, José Escada, Dénes Farkas, Ângela Ferreira, Marcius Galan, John Wood & Paul Harrison, Adelina Lopes, João Louro, Daniel Malhão, Anthony McCall, Susana Mendes Silva, Jonathan Monk, Benoît-Marie Moriceau, Henrique Pavão, Mauro Restiffe, Rui Sanches, Rui Toscano, Francisco Tropa, Lawrence Weiner

Produção da obra Sem título de Inês Botelho (2003–25), em Arrabaldes de Viana © Fotografia Filipe Braga

 

A Coleção da Fundação Leal Rios, constituída pelos irmãos Manuel e Miguel Leal Rios desde 2003, foi parcialmente depositada em Serralves em 2021. Este conjunto de obras é muito significativo por várias razões: porque representa um verdadeiro pensamento (uma perspetiva muito particular sobre a arte das últimas duas décadas), podendo por isso ser identificado como uma coleção (o que é muito diferente de uma mera reunião de obras); porque traz para Serralves um conjunto de obras de artistas que já integravam a Coleção (fruto de aquisições ou de depósitos anteriores), adicionando aspetos que permitem compreender melhor os seus respetivos percursos e ajudando, desta forma, a Fundação a alcançar um dos grandes objetivos do seu labor colecionista, que passa por ter núcleos significativos de obras de determinados artistas; porque acrescenta à Coleção de Serralves artistas e obras que permitem ampliar e enriquecer as perspetivas sobre a produção artística das últimas décadas; porque ultrapassa largamente a escala doméstica que é fatalmente associada a coleções privadas portuguesas — o que é em parte explicável pela constituição de uma Fundação que funcionou paralelamente à coleção e que tem, desde 2011, um espaço físico em Lisboa onde as obras puderam ser expostas, guardadas e conservadas (o que não impede que uma parte significativa das obras apresentadas em Auto dos Anfitriões, cuja instalação implica verdadeiras condições museológicas — equipas de montagem e áreas de exposição —, esteja a ser mostrada — ao público, mas também aos próprios compradores — pela primeira vez desde o momento em que foram adquiridas).

O título desta exposição recupera o de uma peça teatral do poeta português do século XVI Luís Vaz de Camões (adaptada de um texto do poeta da época romana Plauto, até hoje inspiração para dramaturgos, encenadores, compositores e realizadores de cinema) — e, com ele, uma história de derivações, pilhagens e desvios. Evoca imediatamente três das características que singularizam a exposição da Coleção da Fundação Leal Rios: em primeiro lugar, sublinha a vocação hospitaleira de Serralves, e acrescenta sentido à ideia de que a sua Coleção é uma “coleção de coleções”; por outro lado, defende a confluência de tempos e geografias (frutos dos tais “derivações, pilhagens e desvios”) como uma das características partilhadas pela dramaturgia e a arte contemporânea; em último lugar, apela ao teatro, e a certos textos em torno desta disciplina, como forma de iluminar determinados aspetos das práticas artísticas contemporâneas.

Produzida pela Fundação de Serralves — Museu de Arte Contemporânea, a exposição é comissariada por Ricardo Nicolau.

Fundação Serralves, 2026

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